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 BEM VINDO AO MUNDO DO JORNALISMO E DA LITERATURA
 
 
MEUS ESCRITORES FAVORITOS

GILBERTO FREYRE
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Foto: Escritor Gilberto Freyre
Gilberto Freyre. Escritor, sociólogo, antropólogo, historiador, político, conferencista, um dos mais importantes sociólogos do século XX. Pernambucano do Recife, nascido em 15 de março de 1900. Iniciou seus estudos no Colégio Americano Batista do Recife. Estudou na Universidade de Columbia, Estados Unidos, onde conheceu Franz Boas, sua principal referência intelectual. Conhecido no mundo inteiro por sua obra “Casa Grande & Senzala”(1943), sobre a formação patriarcal brasileira, é pioneiro nos estudos histórico e sociológico dos territórios de colonização portuguesa como um todo, chegando mesmo a desenvolver um ramo de pesquisa que denominou de Lusotropicologia. Portugal ocupa um lugar especial no pensamento de Freyre. Vários de seus livros, como em "O Mundo que o Português Criou", "O Luso e o Trópico", mostram o importante papel que os portugueses tiveram na criação da "primeira civilização moderna nos trópicos". Sobre Gilberto Freyre, disse Monteiro Lobato: “O Brasil do futuro não vai ser o que os velhos historiadores disserem e os de hoje repetem. Vai ser o que Gilberto Freyre disser. Freyre é um dos gênios de palheta mais rica e iluminante que estas terras antárticas já produziram”. De Gilberto Freyre, tive o prazer de ler suas mais importantes obras. O primeiro dos seus livros que li foi “Vida Social no Brasil em meados do século XIX”, exatamente sua tese de mestrado nos Estados Unidos, publicada em 1922. Depois, o segundo, foi “Sobrados e Mocambos”, publicado em 1936. Somente aí, então, cheguei ao seu famoso “Casa Grande & Senzala”, que me deixou triplamente fascinado: pelo autor, por Pernambuco e pelo Brasil. Pelo autor, por seu estilo literário criativo e absolutamente original com a característica marcante da adverbialidade, por Pernambuco pelo seu inestimável valor histórico e cultural na formação brasileira, e pelo Brasil, pela melhor compreensão das raízes que formam a sociedade brasileira da atualidade. Depois de “Casa Grande & Senzala”, é quase impossível se reescrever a história do Brasil sem recorrer ao que Gilberto Freyre tão magistralmente reconstituiu da civilização brasileira desde o tempo colonial.De acordo com o maior critico literário brasileiro, escritor, acadêmico e ex-ministro da Educação, Eduardo Portella, o livro se amplia como fonte de história toda vez que ultrapassa os seus limites temáticos e ergue o seu próprio tempo: “Foi o que aconteceu com Casa Grande & Senzala”, a partir do momento em que, ao escrever a história social de uma época, ele fez e refez a nossa história de sempre”. Seguindo-se ao “Casa Grande & Senzala”, li “O Mundo que o português criou”(1940), “Ingleses no Brasil”(1948), “O Recife sim, Recife não”(1960), “Os escravos nos anúncios de jornais brasileiros do século XIX”(1963) “Tempo de Aprendiz”(1979). Gostei muito também dos seus livros “Guia prático, histórico e sentimental da Cidade do Recife”(1942), “Perfis de Euclydes e outros perfis”(1944), “Ordem e Progresso”(1959), “Vida, Forma e Cor”(1962), “Retalhos de velhos jornais”1964) e “O Nordeste”(1967), Apaixonado por Pernambuco e pelo Brasil, o genial Gilberto Freyre, com sua magnífica obra me deixou apaixonado por Pernambuco e pelo Brasil. É uma identificação já antecipada pelo brilhante educador Anísio Teixeira: “Gilberto Freyre é o marco mais significativo no longo esforço de introspecção que vimos todos fazendo para tomar consciência de nosso país, de nossa história e de nossa cultura. Ficamos todos mais brasileiros com sua obra”. Como diretor de Redação do Jornal do Commércio, do Recife, nos anos 1970, convidei-o e ele aceitou escrever artigo semanal para o jornal líder da Organização F. Pessoa de Queiroz. Tornei-me seu amigo e freqüentador do seu colonial Solar de Apipucos em ocasiões especiais, como na festa de seu aniversário de 80 anos ao lado de muitos de escritores e intelectuais de Pernambuco e do Brasil. Com sua morte em 1987, abriu-se uma enorme lacuna impreenchível na cultura pernambucana e brasileira. Minha formação cultural em Pernambuco e minha declarada paixão pelo Recife têm muito a ver com Gilberto Freyre, a quem estimo e preservo como minha maior referência intelectual. Em dezembro de 1981, já em Brasília, fui honrado por ele presenteando-me seu livro “Pessoas, Coisas & Animais” , uma das preciosidades de sua obra monumental, com a seguinte dedicatória: “Ao Jota Alcides, companheiro de ideais, de juventude e de esperanças, uma lembrança deste Natal de 81 – que é sempre o último no marco da eternidade. Com abraço amigo do Gilberto Freyre”. Obrigado, Mestre Freyre!

GARCIA MARQUEZC
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Foto: Escritor Garcia Marquez
Gabriel Garcia Márquez. Escritor, jornalista, editor, romancista e político colombiano nascido em 1927, em Aracataca. Prêmio Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra, que inclui “Cem anos de Solidão”, lido e aclamado no mundo inteiro como um dos melhores livros da literatura universal. Na literatura hispânica, só perde para “Dom Quixote de la Mancha”. Considerado o pai do realismo mágico na literatura latino-americana, Garcia Marquez estudou em Barranquilla e no Liceu Nacional de Zipaquirá. Passou a juventude ouvindo contos das Mil e Uma Noites. Em 1947, mudou-se para Bogotá onde foi estudar Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não concluiu graduação. Em 1948, foi para Cartagena das Índias, Colômbia, onde começou a trabalhar como jornalista no jornal El Universal. Juntou-se a um grupo de escritores para estimular a literatura no seu país e em 1954 passou a ser repórter e critico do jornal El Espectador. Seu primeiro trabalho literário, o romance "La Hojarasca", foi publicado em 1955. Em 1961 apareceu "Ninguém escreve ao coronel". Somente em 1967 saiu o seu “Cem Anos de Solidão”, livro que narra a história da família Buendía na cidade fictícia de Macondo desde sua fundação até a sétima geração. Este livro é considerado um marco da literatura latino-americana e exemplo único do estilo a partir de então denominado "Realismo Fantástico". Suas novelas e histórias curtas - fusões entre a realidade e a fantasia - o levaram ao Prêmio Nobel de Literatura em 1982. Com interesse especial pelo cinema, em 1950 estudou no Centro Experimental de Cinema em Roma. Participou diretamente de alguns filmes, como Juego Peligroso, Presságio, Erendira, entre outros. Em 1986, fundou Escola Internacional de Cinema e Televisão em Cuba, para apoiar a carreira de jovens da América Latina. Quando li pela primeira vez Garcia Márquez, em 1970, no Recife, já tive contato direto com seu realismo mágico na fabulosa obra “Cem Anos de Solidão”. Foi um choque surpreendente e agradável. Sua história na cidade fictícia de Macondo não era fantasia para mim, era realidade em muitos aspectos. Diversas narrativas de Macondo eu as vivenciei na infância em Caririaçu, no cearense Vale do Cariri, onde morava. Os ciganos de Macondo estiveram na minha vida real de infância no Sítio Tabuleiro, um lugarejo perdido no Vale do Cariri. Foi ali que vivi os meus dias de Macondo, vendo os ciganos trazendo todos os anos “as novidades do velho mundo”. Daí minha identificação imediata com o autor natural de Aracataca. Desde então, tornei-me admirador incondicional e consumidor do estilo e da imaginação criadora de Garcia Márquez. Tanto de suas obras de ficção quanto de suas obras de não ficção, como “Crônica de uma morte anunciada”(1981) e “O amor em tempos de cólera”(1985). Entre seus livros, alguns são inesquecíveis até pelo título original e cinematográfico: “A última viagem do navio fantasma”, “Um senhor muito velho com umas asas enormes”, “Olhos de cão azul”, “O general em seu labirinto” e “Memórias de minhas putas tristes”. Mas, sem dúvidas, o mais marcante é “Cem Anos de Solidão”, um dos melhores livros de literatura latino-americana, cuja história passa-se numa aldeia fictícia e remota na América Latina chamada Macondo. Jamais esquecerei Macondo e seus ciganos, como jamais esqueci o Tabuleiro e seus ciganos, no querido verde Vale do Cariri. Algumas frases prediletas de Garcia Marques passaram a ser minhas também: “A vida é uma sucessão contínua de oportunidades”; ”Tudo é questão de despertar sua alma”; “Todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada”;"É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos de razão”. Obrigado, Mestre Garcia!

>JOSÉ DE ALENCARC
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Foto: José de Alencar
José de Alencar. Quando se fala em José de Alencar fala-se, imediatamente, em “Iracema”, “O Guarani” e “Ubirajara”, três das principais obras do escritor, jornalista, advogado, político, orador, critico, polemista, dramaturgo e romancista cearense nascido em Messejana, perto de Fortaleza, em 1829. Com 11 anos, José de Alencar transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro, realizando seus primeiros estudos no Colégio de Instrução Elementar. Em 1844, matriculou-se nos cursos preparatórios à Faculdade de Direito de São Paulo, onde começou o Curso de Direito em 1846, formando-se em 1850. Já em 1854 começou sua atividade literária estreando como folhetinista do jornal “Correio Mercantil” e no “Diário do Rio de Janeiro”. Em 1856, publicou seu primeiro romance “Cinco Minutos”, seguindo de “A Viuvinha”(1857) e “O Guarani”(1857). Esses três romances iniciais foram publicados primeiro em jornais, depois em livros.Foi com “O Guarani” que ele ganhou notoriedade como romancista. Completou sua trilogia indigenista com “Iracema”(1865) e “Ubirajara”(1874). O primeiro, epopeia sobre a origem do Ceará, tem como personagem principal a índia Iracema, a "virgem dos lábios de mel" e "cabelos tão escuros como a asa da graúna". O segundo tem por personagem Ubirajara, valente guerreiro indígena que durante a história cresce em direção à maturidade. Produziu também romances urbanos: “Senhora”(1875); “Encarnação”(1877), ano de sua morte e divulgado em 1893; romances regionalistas: “O Gaúcho”(1870), “O Sertanejo”(1875);e romance histórico “Guerra dos Mascates”(1873. Sua obra é marcada pelo sentimento de nacionalismo. Exatamente num momento de consolidação da Independência do Brasil, Alencar desenvolveu um esforço patriótico para povoar o Brasil com conhecimento e cultura próprios, construindo novos caminhos para a literatura no país. Em sua homenagem foi erguida uma estátua no Rio de Janeiro e um teatro em Fortaleza chamado "Teatro José de Alencar", que em 2011 completou 100 anos. Embora seus livros mais famosos sejam os da trilogia indigenista “Iracema”, “O Guarani” e “Ubirajara”, o que me despertou maior interesse foi o que está relacionado com o espaço geográfico do Nordeste: “O Sertanejo”(1875), romance que transcorre no cenário dos sertões do Nordeste, sobretudo no território do Ceará e mais ainda no Vale do Jaguaribe, oferecendo um retrato geográfico, social, econômico e humano. José de Alencar abre o romance se localizando: “Esta imensa campina, que se dilata por horizontes infindos, é o sertão de minha terra natal”. Logo em seguida, faz do seu romance uma viagem de saudade: “Quando tornarei a ver, sertão de minha terra, que atravessei há tantos anos na aurora serena e feliz de minha infância?”. Dai em diante é uma narração de muita paisagem, personagens típicos do sertão e lances dramáticos, ressaltando a simplicidade, agilidade, a valentia, a coragem, a nobreza e a sabedoria do sertanejo. Ele olha a floresta como um mundo, onde cada árvore é um amigo ou conhecido a quem saúda, passando. Suas impressões são carregadas de sensibilidade: “As ramas do maracujá que rebentam com as primeira águas cobrem-se de flores; das flores saem os frutos que espalham na terra as sementes e das sementes brotam novas ramas que, por sua vez, cobrem-se de flores até murcham e secam. Tudo muda. Passam os anos e levam a ida”.E sua convivência com a natureza aumenta o amor pela terra natal, que se expressa mais forte quando está distante: “Saudades que me deixaste, saudades me levarão, aonde foram-se os olhos, vai após o coração”. Embora não seja sua obra principal, “O Sertanejo” de José de Alencar fala muito mais, do que suas outras mais expressivas e famosas, aos sentimentos telúricos e ao realismo regional de quem é, como eu, do Vale do Cariri, ao sul do Ceará, uma região surpreendentemente verde, tipo Oásis do Nordeste, sem a paisagem do deserto sertanejo, mas que vive e cultiva hábitos, costumes, atitudes, culturas, ornamentos, paramentos, valores e tradições do sertanejo dos Sertões, onde o homem tem relação direta com todas as virtudes e fraquezas da Terra e com todos os dons e perigos da Natureza. É uma obra admirável! Obrigado, Mestre Alencar.

MALBA TAHAN
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Foto: Escritor Malba  Tahan
Malba Tahan . Como milhares de adolescentes brasileiros da minha geração, fui um consumidor ávido dos livros de Malba Tahan. Dos seus mais de 120 livros, li os mais famosos. Suas narrativas de fábulas, aventuras e lendas do Oriente me deixavam fascinado. O primeiro livro dele que li foi o mais conhecido, “O Homem que Calculava”(1938), uma coleção de curiosidades matemáticas apresentadas por um habilidoso calculista persa, considerada por Monteiro Lobato como “a melhor expressão do binômio cinência-imaginação”. Gravei para sempre na memória o nome desse calculista maravilhoso, Beremiz Samir. Depois, dediquei-me, com o maior prazer, à leitura do seu “Mil Histórias Sem Fim”. Com prazer e muita curiosidade: como seria o último conto desse livro já que são histórias sem fim? Daí em diante foi uma seqüência de leituras agradáveis da original obra de Malba Tahan: “Lendas do Oásis”, “Lendas do Céu e da Terra”, “Lendas do Deserto”, “O Céu de Allah”, “A Caixa do Futuro”. Durante esse período da adolescência, entre 12 e 15 anos, para mim, Malba Tahan era o que ele mesmo se dizia ser com nome absurdo: Ali Yezid Izz-Eddin Ibn Salim Hankm, Malba Tahan, nascido na aldeia de Muzalit, próximo a Meca, em 6 de maio de 1885, tendo feito estudos no Cairo (Egito) e Istambul (Turquia), onde teria aprendido costumes e lendas do Oriente. Portanto, um escritor genuinamente árabe. Somente mais tarde descobri, surpreso, o verdadeiro Malba Tahan: o ilustre matemático brasileiro Júlio César de Mello e Souza, fluminense, nascido em 6 de maio de 1895, estudante do Colégio Pedro II, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, magistral professor de matemática recreativa e exímio contador de histórias. Filho de família pobre, seus pais, professores, tinham renda mínima apenas suficiente para criar os filhos. Entretanto, pouco me entusiasmou essa descoberta do Julio César de Mello e Souza. Mantive comigo o ídolo Malba Tahan. Que começou a escrever e assinar como o fictício Malba Tahan no jornal “A Noite”, de Irineu Marinho, publicando uma série de “contos de mil e uma noites”. Logo ficou famoso no Brasil e no exterior. Escreveu e publicou livros de ficção, recreação e curiosidades matemáticas, didáticos e sobre educação. Para escrever seus contos e lendas, estudou ampla e profundamente todos os aspectos da cultura árabe e da oriental. Como professor de matemática, foi severo crítico das formas ultrapassadas de ensino: “O professor de Matemática em geral é um sádico, sente prazer em complicar tudo”. Daí ter optado pelo ensino da Matemática recreativa, explorando o espírito lúdico dos jovens. Ganhou celebridade por sua técnica como contador de histórias e por sua atuação inovadora como professor. Educador, preocupava-se com a formação dos jovens e usava suas histórias fabulosas para transmitir e ensinar belas lições, como esta em “Lendas do Céu e da Terra”: “Os três amigos do homem são: o primeiro é o dinheiro, o segundo é a família e o terceiro as boas ações. Quando o homem morre e é levado ao Tribunal de Deus, o dinheiro não o acompanha; a família apenas vai deixa-lo no cemitério; e somente as boas ações é que vão com ele ao Supremo Julgador”. Suas aulas agitadas e interessantes, quase teatralizadas, sempre repletas de curiosidades, atraiam a atenção dos estudantes. Por isso, proferiu mais de 2000 palestras por todo o Brasil. A última delas, no Recife, em 17 de junho de 1974, convidado pela Secretaria de Educação e Cultura de Pernambuco. Então, como Editor-Chefe da Rede Globo Nordeste e seu admirador, sabendo de sua presença no Recife, não escalei repórter para entrevista-lo. Dei-me a mim esse privilégio e, conforme combinado, fui encontrá-lo na recepção do Hotel Boa Viagem, na época final da charmosa praia de Boa Viagem. Era manhã de 17 de junho de 1974, uma segunda-feira. O foco da entrevista foi o tema de sua palestra programada para o final da tarde desse mesmo dia no Colégio Soares Dutra: “A arte de contar histórias”. Editei o material que foi publicado na edição local do Jornal Nacional. No dia seguinte, 18 de junho de 1974, surpresa e choque: Malba Tahan morreu às 5h30m no Hotel Boa Viagem, de ataque cardíaco. Eu havia feito a última entrevista da vida de Malba Tahan, o escritor de original personalidade, admirável estilo e inigualável capacidade imaginativa que conquistou minha mente e meu coração de adolescente, como de tantos milhares de adolescentes brasileiros, com suas fascinantes, instigantes, edificantes e palpitantes aventuras e lendas do mundo árabe. Um dos meus escritores favoritos. Obrigado Mestre Tahan!
 

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