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JORNALISTA, ESCRITOR, EDITOR, ENSAISTA E ROMANCISTA

 BEM VINDO AO MUNDO DO JORNALISMO E DA LITERATURA
 
 
MEUS MESTRES NO JORNALISMO

ARMANDO NOGUEIRA
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Foto: Jornalista Armando Nogueira
Filho de cearenses que emigraram para o Acre, nascido em Xapuri, é um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro e especialmente da crônica esportiva brasileira. Mudou-se aos 17 anos para o Rio de Janeiro onde se formou na Faculdade Nacional de Direito. Começou no jornalismo em 1950, no famoso Diário Carioca que reunia os mais expressivos jornalistas do Rio, como Prudente de Moraes Neto, Carlos Castelo Branco, Otto Lara Resende, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Pompeu de Souza, todos primorosos intelectuais. Foi sua verdadeira escola de jornalismo. Testemunha ocular do atentado contra o jornalista Carlos Lacerda, na Rua Toneleros, em Copacabana. ao escrever sobre o episódio, cometeu uma façanha no jornalismo brasileiro: pela primeira vez numa reportagem um fato foi narrado em primeira pessoa. Em 1959 entrou no Jornal do Brasil onde passou a assinar uma coluna esportiva diária denominada “Na Grande Área” até1973. Como jornalista da mídia impressa fez sucesso nas funções de repórter, redator e colunista. Escreveu para as célebres revistas Manchete e O Cruzeiro. Em 1966, depois da experiência de cinco anos na antiga TV Rio, foi trabalhar na TV Globo do Rio com a responsabilidade de implantar o telejornalismo na emissora. Ficou 25 anos como diretor de jornalismo na Globo. Criou o Jornal Nacional e o Globo Repórter. Em 1990, deixou a Rede Globo e passou se dedicar ao jornalismo esportivo, sua grande paixão. De 1995 a 2007 manteve uma coluna esportiva reproduzida por 62 jornais brasileiros. Foi no esporte que ele encontrou inspiração para escrever algumas das suas melhores crônicas e se tornar famoso e respeitado como cronista. Jornalista, cronista e escritor, escreveu dez livros, todos sobre esportes. Com estilo original, criativo, elegante e poético, diferenciou-se do lugar comum predominante no meio esportivo. Aos ídolos que mais admirava dedicou frases antológicas: "Pelé é tão perfeito que se não tivesse nascido gente, teria nascido bola”; "Para Mané Garrincha, o espaço de um pequeno guardanapo era um enorme latifúndio”; “A tabelinha de Pelé e Tostão confirma a existência de Deus”. Suas crônicas eram irresistíveis pelo estilo insinuante.Foi em 1972 que o conheci e passei a trabalhar na Rede Globo sob sua direção como Editor-Chefe da Globo Nordeste, sediada no Recife. Gravei para sempre sua primeira lição: “No Jornal Hoje, texto leve sem ser leviano; no Jornal Nacional, texto conciso e objetivo”. Muito rigoroso, perfeccionista, exigia o máximo dos editores quanto à redação das reportagens para garantia do padrão globo de qualidade também no jornalismo. Convidado por ele e sua editora executiva, Alice Maria, algumas vezes estive no Rio de Janeiro participando de edições do Jornal Nacional e do Fantástico. Certa vez, na sede da Globo no Rio, colocou-me numa ilha de edição diante de dez fitas de vídeotape cada uma com 1 hora de gravação sobre o incêndio no edifício Joelma em São Paulo: “Veja tudo e daí edite dois minutos para o Fantástico. Bom trabalho!”. Durante os cinco anos que trabalhei na Globo aprendi muito com ele, sempre cuidadoso e exigente não apenas com o texto a ser editado mas também com as imagens que deviam ser criteriosamente selecionadas considerando seus impactos e o respeito à sensibilidade dos telespectadores. Pioneiro no jornalismo da televisão brasileira, fez história criando o telejornalismo que passou a ser extremamente valorizado em todas as redes de televisão do País. Morreu de câncer em 2010, no Rio, aos 83 anos. Foi um privilegio ter tido sua direção, seu apoio, seus ensinamentos, seus estímulos e sua amizade na Rede Globo. Líder, competente, inteligente, diligente, compenetrado, criativo, responsável, íntegro e ético, deixou sua marca no jornalismo brasileiro. Um dos meus mestres inesquecíveis no jornalismo.

ESMARAGDO MARROQUIMC
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Foto: Jornalista Esmaragdo Marroquim
Foi um dos grandes mestres do jornalismo de Pernambuco no século XX. Diretor de Redação do Jornal do Commércio, um dos mais importantes do Brasil, por quase 30 anos, hoje é nome da Biblioteca da União Brasileira de EscriTores-UBE, no Recife. Formado em Ciências Jurídicas, ele dominava Economia, Política,Geografia, Literatura, Artes Plásticas, Música, Língua Portuguesa, Língua Inglesa e Relações Humanas. Mas se projetou e se consagrou na sociedade pernambucana como jornalista e administrador de jornal. Culto, íntegro, carismático, honrado, inteligente, competente, sábio, justo e extremamente profissional, tinha o perfil ideal de um grande Diretor de Redação. Jamais será esquecida a sua postura pessoal dentro da Redação do Jornal do Commércio, educadíssimo, falando baixo aos companheiros subordinados, com gestos comedidos e quase sempre com a mão direita cobrindo a boca. Além do senso agudo para notícia,sabia tudo de jornal: desde a pauta de reportagens, passando pelas editorias, pelas oficinas de impressão, pela distribuição e até pela compensação ou não de cada edição. E tinha uma virtude singular: sentia prazer em descobrir e valorizar novos talentos para o jornalismo dando-lhes oportunidade. Foi assim que o conheci em 1975, indicado pelo amigo fraternal Aldo Paes Barreto, colunista do Jornal do Commércio. Convidou-me para ser o Chefe de Reportagem do jornal, mas colocou-me na função com o nome mais estimulante de Chefe de Produção. Diariamente, quando ele chegava às 09 horas, já encontrava sobre sua mesa a minha pauta com os principais assuntos que deverian ter cobertura no Recife e no Estado de Pernambuco. Meia hora depois, saia de sua sala. passava junto à minha mesa e dizia: “Excelente, Parabéns”. Com esse tônico para a alma, sentia-me cada vez mais comprometido em apresentar, cada dia, uma produção de reportagens sempre em nível superior de qualidade. Nunca recebi dele qualquer censura ou reprovação ao que projetava para cada edição do jornal. Só o estimulante “Excelente, Parabéns”. Ele ainda renovava esse elogio à noite quando o encontrava sorvendo o seu tradicional wisky em sua cadeira cativa no restauranre Dom Pedro, na rua do Imperador, do português Júlio Crucho, grande amigo dos jornalistas do Recife.Ainda muito jovem, sentia-me com a autoestima em estado de graça ao ser homenageado por quem devia ser e era permanentemente homenageado. Um ano depois de cumprir a função de Chefe de Produção do Jornal do Commércio, em plena terça-feira de carnaval, fui chamado pelo Diretor-Superintendente, Hilton Mota: “Você é o novo Diretor de Redação do Jornal do Commércio, sucessor de Esmaragdo Marroquim!”. Antes que eu, chocado, perguntasse “como assim?”, já ouvi a resposta surpreendente: “Foi o próprio Esmaragdo, que decidiu se aposentar, quem indicou você”.Aceitei com entusiasmo. Mais uma virtude desse grande jornalista: a generosidade. Foi um prazer enorme ter tido o privilégio de sua orientação, do seu companheirismo, do seu convívio e de sua grande sabedoria. Morreu de câncer em 1997, no Recife, aos 85 anos de idade, deixando sua marca na imprensa de Pernambuco e do Brasil. Um dos meus mestres inesquecíveis no jornalismo.

>LUIZ BELTRÃOC
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Foto: Jornalista Luiz Beltrão
Personalidade paradigmática da historia da comunicação no Brasil, pernambucano de Olinda, primeiro doutor em Ciências da Comunicação do nosso País. Defendeu em 1967 na Universidade de Brasília a tese da “folkcomunicaçao”(sistema alternativo de comunicação e processo de resistência cultural das populações marginalizadas). Antes, em 1963, fundou no Recife o primeiro instituto brasileiro de pesquisa acadêmica sobre comunicação – Instituto de Ciências da Informação e lançou na Universidade Católica de Pernambuco a primeira revista sobre Ciências da Comunicação do País, denominada “Comunicação & Problemas” Sua tese de doutorado ganhou reconhecimento nacional e prestígio internacional nos âmbitos do jornalismo e da comunicação de massa. Seu pioneirismo foi reconhecido pela Assembléia Geral da Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, com sede em São Paulo, em 1997, quando instituiu o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, anualmente concedido a personalidades e instituições nessa área do conhecimento cientifico. Pesquisador, educador e divulgador científico, produziu conhecimento midiático ancorado na vivência profissional. Formou toda uma geração de professores, pesquisadores e executivos da comunicação. E converteu os resultados das suas pesquisas em material didático, difundido nas salas de aula ou estocado em livros destinados aos jovens estudantes e profissionais de jornalismo. Foi uma honra e uma enriquecedora experiência acadêmica ter sido seu aluno nos primeiros anos da década de 1980 na Faculdade de Comunicação do Centro Universitário de Brasília. Embora lecionasse Teoria da Comunicação, para maior densidade e profundidade de conhecimento científico de seus alunos, freqüentemente, durante as aulas, percorria caminhos da história da comunicação. Como bom pernambucano, gentilmente, dispensava-me atenção especial por saber e sentir meu interesse pessoal em pesquisar a história do Rádio Clube de Pernambuco, primeira emissora de rádio da América Latina, desde 1919, e do Diário de Pernambuco, mais antigo jornal em circulação nas Américas, desde 1825. Gostava tanto disso que abria espaço em suas aulas para eu transmitir meus conhecimentos aos colegas estudantes sobre esses dois veículos que representam verdadeiros monumentos do patrimônio histórico e cultural da comunicação no Brasil. Professor dedicado, respeitado, íntegro, ético, consciente de sua missão como cientista. Como reconhecimento à importância de sua obra, a Intercom declarou 2006 o Ano de Luiz Beltrão realizando diversos eventos comemorativos pela coincidência de um registro histórico: há 70 anos, ele iniciava sua carreira de jornalista no Diário de Pernambuco, um dos mais antigos jornais do mundo em circulação. Morreu em Brasília em 1986, deixando sua marca de pioneiro dos estudos das Ciências da Comunicação do Brasil, tema de debates e seminários sobre a tendência das pesquisas de comunicação em toda a América Latina. Com sua brilhante trajetória intelectual, está consagrado e eternizado como primeiro doutor em Comunicação no Brasil. Um dos meus mestres inesquecíveis no jornalismo.
 

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