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JORNALISTA, ESCRITOR, EDITOR, ENSAISTA E ROMANCISTA

 BEM VINDO AO MUNDO DO JORNALISMO E DA LITERATURA
 
 

MINHA VIDA PROFISSIONAL

RÁDIO PROGRESSO - Juazeiro do Norte - CEC

Foto: Sede de Rádio Progresso do Juazeiro
Empreendimento do Grupo Bezerra de Menezes, a Rádio Progresso do Juazeiro do Norte, principal cidade do Cariri, no sul do Ceará, foi inaugurada, festivamente, em 1º de maio de 1967, depois de três anos de intensos preparativos legais, materiais e técnicos sob o rigor do período dos governos militares. Entrou no ar como “ZYB-35, Emissora Caririense de Educação e Cultura, antena onidirecional para todo o Brasil”. Donos da emissora, a segunda do Juazeiro depois da pioneira Rádio Iracema, inaugurada em 1950, os irmãos Adauto Bezerra, então deputado estadual, e Humberto Bezerra,então Prefeito, trouxeram para a festa o governador do Ceará, Plácido Castelo, o comandante da 10ª Região Militar, general Dilermando Monteiro, e outras autoridades do Estado. Marcou o dia inaugural da Rádio Progresso um grande show musical na Quadra João Cornélio, sob o comando do diretor da emissora, educador, historiador, jornalista e cronista Menezes Barbosa. Apresentaram-se 18 artistas cantores do Rádio e TV Jornal do Commércio, do Recife, diante de uma platéia de mais de quatro mil pessoas. Começou assim a história da Radio Progresso do Juazeiro que teve seus primeiros estúdios no Edificio Banco do Juazeiro, Rua Santa Luzia, centro da cidade, e logo se firmou como a mais importante emissora de educação, cultura e esportes da região, oferecendo sempre jornalismo responsável e entretenimento saudável a serviço do desenvolvimento da sociedade do Juazeiro e do Cariri. Entrei nessa história poucos meses depois da inauguração da rádio, contratado como redator em agosto de 1967. Passei a fazer parte de um cast onde brilhavam, além de João Barbosa e Walter Barbosa, irmãos do diretor Menezes Barbosa, os repórteres, produtores e locutores Carlúcio Pereira, Carlos Pimentel, Wellington Amorim, Campos Júnior, Wilton Bezerra, Jussier Cunha, João Sobreira, Francisco Ferreira, Robledo Pontes, Pedro Bandeira, Roterdan Martins, Wellington Oliveira, entre outros. E assim comecei a realizar o sonho de ser jornalista acalentado desde os 12 anos como estudante em Pernambuco. Com o apoio do diretor-gerente Menezes Barbosa, cronista titular da emissora consagrado como dono de grande audiência no Juazeiro, tornei-me criador, produtor e editor do Repórter Cariri, um informativo de notícias curtas e objetivas da cidade e da região, apresentado por Geraldo Batista, em duas edições diárias, 10 horas e 18 horas, oferecendo ampla cobertura das atualidades regionais. Orientava-me pelos padrões editoriais do Repórter Esso, líder de audiência em todo o Nordeste, pelo Rádio Jornal do Commércio, do Recife, e do Globo no Ar, da Rádio Globo,do Rio de Janeiro, ambas emissoras, das mais potentes do Brasil, com forte penetração no Juazeiro.Sucesso de produção e de audiência desse Repórter Cariri, entre 1968 e 1969, deu-me maior conhecimento da realidade regional, razoável aprendizado jornalístico e notável projeção no mercado do Cariri, proporcionando-me convites e oportunidades para ocupação de novos espaços na mídia do Ceará e de Pernambuco que me abriram novos horizontes profissionais no mundo da comunicação. Assim, durante esses dois anos de intensa atividade jornalística na Rádio Progresso, exerci também a função de correspondente regional dos jornais Tribuna do Ceará e Correio do Ceará e da Ceará Rádio Clube, todos de Fortaleza, e do Diário de Pernambuco, mais tradicional jornal da capital peranambucana e mais antigo em circulação na América Latina.
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DIÁRIO DE PERNAMBUCO - Recife - PE

Foto: Sede histórica do Diário de Pernambuco, centro do Recife
Até o final dos anos de 1960, eram muitos fortes a presença e a influência de Pernambuco no Juazeiro do Norte e em todo o Cariri, região sul do Ceará que, no passado, tinha sido território pernambucano. Os dois maiores jornais do Recife, também maiores do Nordeste, Diário de Pernambuco e Jornal do Commércio, circulavam regularmente no Juazeiro, ao contrário dos jornais de Fortaleza, de circulação irregular. Juazeiro tinha na Colina do Horto uma torre retransmissora da TV Jornal do Comércio, que era a única televisão vista na cidade e no Cariri porque a TV Ceará, de Fortaleza, quase não atingia a região. Quem dominava a audiência de rádio no Juazeiro eram as potentes emissoras Rádio Clube de Pernambuco e Rádio Jornal do Commércio, do Recife. Quase nao se ouviam as emsisoras de Fortaleza. Mesmo porque a mais potente, então, Ceará Rádio Clube tinha dificuldades para chegar à região. Ligação rodoviária do Juazeiro com Recife já era por rodovia toda asfaltada. Do Juazeiro para Fortaleza era no barro, na poeira ou na lama. Comércio do Juazeiro era todo feito com o Recife e não com Fortaleza. Quase todos os esudantes do Juazeiro, ao concluirem o ensino médio, tentavam vestibulares e Universidades no Recife. Assim, até o final dos anos 1960, o Recife era a capital econômica e cultural do Juazeiro e do Cariri. Essa realidade me fez, durante os anos de 1968 e 1969, no começo de minha carreira jornalística, correspondente em Juazeiro do Norte do Diário de Pernambuco, o lendário matutino instalado em belo prédio histórico no centro da capital pernambucana. Durante esses dois anos, mandei notícias diariamente para o vetusto jornal e ainda assinei uma coluna semanal denominada "Diário no Cariri". Mereceu grande destaque no jornal recifense a notícia da inauguração, em 1º de novembro de 1969,com Juazeiro cheio de romeiros de todo o Nordeste, da Estátua do Padre Cícero, segunda maior do Brasil depois do Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Como, nessa época, as ligações telefônicas interurbanas eram precaríssimas e a Internet não existia nem em sonho, para fazer chegar o material noticioso do Cariri ao Recife usava avião com operações no Aeroporto Regional do Juazeiro, ônibus de linha interestadual e amigos. Um deles, Francisco Calixto, cumpria ponte aérea semanal entre Juazeiro-Recife e Recife-Juazeiro. Ele tinha o maior prazer em levar e entregar meus envelopes de notícias na Redação do Diário de Pernambuco. Como resultado desse trabalho, o jornal passou a ter maior penetração, maior prestígio e maior influência no Juazeiro e no Cariri. Foi nessa condição de correspondente que conheci o então Editor Regional do Nordeste, jornalista Anchieta Hélcias, e, através dele, o Diretor de Redação, Antonio Camelo, com os quais fiz amizade.Assim iniciei minha relação com o Diário de Pernambuco, em circulação desde 1825, o mais antigo da América Latina, valioso e inigualável patrimônio histórico e cultural da imprensa brasileira.

RÁDIO CLUBE DE PERNAMBUCO - Recife - PE

Foto: Sede antiga do Rádio Clube de Pernambuco
Com a cara e a coragem, desembarquei no Recife em janeiro de 1970, plenamente disposto para trabalhar na imprensa pernambucana e para tentar Faculdade de Jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, a primeira e até então a única do Nordeste. Hospedei-me, provisoriamente, no modesto Hotel Capibaribe, na rua da Praia, ao lado do Mercado São José, centro do Recife.Fui procurar e pedir emprego a quem eu conhecia: Antonio Camelo, Diretor de Redação do Diário de Pernambuco. Falou-me que não tinha vaga para iniciante naquele momento, mas, diante da minha experiência em rádio no Juazeiro do Norte, escreveu um bilhete ao diretor do Rádio Clube de Pernambuco: "Meu caro Tavares Maciel! Dê uma oportunidade para Jota Alcides, nosso companheiro do Cariri". De imediato, no velho Palácio do Rádio Oscar Moreira Pinto, na avenida Cruz Cabugá, bairro de Santo Amaro, Tavares Maciel ordenou à diretora artística, Rosa Maria, que providenciasse os testes, feitos nessa ordem: redação de um noticioso; locução de jornal em um dos estúdios; reportagem de rua, entrevistando o povo sobre tema desemprego; entrevista com o delegado regional do Trabalho, Romildo Leite; e transmissão externa da posse do novo Secretário de Segurança Pública, Egmon Gonçalves.Nesse último teste, aconteceu o inesperado: minha narração, utilizando uma caminhoneta de frequência modulada, era para ser feita em off, apenas para gravação no estúdio; quem estava fazendo a transmissão em on era o reporter Tadeu Nascimdeno. Mas, por equívoco de operação técnica no estúdio, a que foi para o ar foi a minha. Deu confusão, porém deu minha aprovação. Passei a viver o privilégio, a honra e a felicidade de trabalhar, como repórter, redator e noticiarista, ao lado de grandes nomes da radiofonia de Pernambuco, respeitadíssima no Brasil inteiro: Rosa Maria, Renato Phaeltante, Albéres Pimentel, Walter Cartaxo, Stélio Gonçalves, Osório Romero, Teófilo Silva, José Uchoa, Ricardo Carvalho, Tadeu Nascimento, José Mário Austregésilo, Ivan Lima, Barbosa Filho, José Santana,Rubens Souza, Ivo Sútter, Aldir Dúdiman, Edvaldo Moraes, Haroldo Rômulo, Robsom Sampaio. Fernando Freitas, Gilberto Carvalho, Antenor Arôxa, Walter Lins, Edilson Torres e tantos outros. Todos astros da constelação radiofônica no Nordeste. Certo dia, com alegria, recebi a visita surpresa do amigo Coelho Alves, diretor da Rádio Iracema de Juazeiro do Norte. Mostrei-lhe os estúdios da PRA-8, orgulhoso de ter vindo do Cariri e estar trabalhando numa das maiores escolas do rádio no Brasil, o Rádio Clube de Pernambuco, desde 06 de abril de 1919, a primeira emissora de rádio do País. Uma emissora que já tinha dado ao Brasil grandes artistas e profissionais em todas as áreas. Entre eles, Antonio Maria, Fernando Lobo, Abílio de Castro, Mário Libãnio, Carlos Rios, Aníbal Fernandes, Mário Melo, Costa Porto, Mário Teixeira, Valdemar de Oliveira, Chico Anísio..Com satisfação lhe repeti o slogan que, para mim, tinha um significado valioso e um impacto insuperável: "Aqui começa a história da radiofonia na América Latina".

TV JORNAL DO COMMÉRCIO - Recife - PE

Foto: Sede da TV Jornal do Commércio

Embora trabalhar como noticiarista no Rádio Clube de Pernambuco fosse a realização de um sonho para qualquer profissional do Nordeste, passei pouco tempo na emissora pioneira do Brasil e da América Latina, apenas alguns meses. Sempre ansioso por novos degraus e novos desafios, aceitei uma oportunidade surgida na TV Jornal do Commércio, a primeira do Recife e do Nordeste, inaugurada em, 18 de junho de 1960, pelo ousado e vibrante empresário F. Pessoa de Queiroz, como a emissora de televisão mais moderna do País. Parecia uma decisão numa direção oposta porque uma crise financeira atingia fortemente a televisão, porém meu sentimento era o de nunca basear minhas decisões em ganhos financeiros, mas sempre no fazer algo novo com entusiasmo, chave do segredo para o sucesso profissional e financeiro. Para mim, mais importante era um degrau a mais na carreira do jornalismo. Dez anos depois, em 1970, a TV Jornal do Commércio, Canal 2, mantinha-se no mesmo prédio na Rua do Lima, bairro de Santo Amaro, no Recife, que levou três anos para ser construído. Empresa inglesa Marconi Wireless Telegraphy Company foi responsável pelo projeto e instalação de todos os equipamentos. Tudo importado da Europa, até o caminhão de externas e a torre metálica de sustentação das antenas. Dez anos depois, sua programação era feita ao vivo em três grandes estúdios, todos com ar-condicionado. Um deles funcionava como auditório com capacidade para 460 pessoas. Dez anos depois, a TV Jornal do Commércio ainda era o símbolo maior da Era de Ouro da televisão pernambucana, oferecendo produções próprias de grandes programas de auditório, telejornais e telenovelas comandados por radialistas famosos como Geraldo Liberal, José Maria Marques e Fernando Castelão. Desde o Cariri, onde a TV Jornal do Commércio chegava com som e imagem locais, graças á torre retransmissora instalada na Colina do Horto, no Juazeiro, eu conhecia produções que marcaram época como Você faz o Show, Noite de Black Tie, O Meu Bairro é o Maior e Bossa Dois. além de Cidade Encantada, apresentado por "tia" Linda, um dos primeiros programas infantis da TV brasileira. Pelo auditório do Estúdio A eram frequentes as presenças de nomes famosos da Jovem Guarda como Roberto Carlos, Wanderléa, Erasmo Carlos, Wanderley Cardoso, além de Hebe Camargo, Lolita Rodrigues, Nelson Gonçalves, Jair Rodrigues, Arlete Sales, Orlando Silva, Ivon Curi e a orquestra do maestro americano Ray Conniff. Cheguei à TV Jornal do Commércio, então sob a direção geral de Alberto Lopes e direção de progamação de Jorge José, num momento em que a estação começava a sentir grave crise como efeito da formação das primeiras redes nacionais de televisão. Passei a integrar, como editor do Repórter Banorte, sucessor do Repórter Esso, apresentado por Jerônimo Filho, equipe comandada pelo jornalista e professor de comunicação, Izaltino Bezerra. Em apoio ao jornalismo, funcioanava um departamento de cinegrafia chefiado por Edson Rubi. Eram astros da TV Jornal do Commércio nessa época, comandando programas de grande audiência, Carmen Peixoto, Jorge Cháu, Geraldo Liberal, Fernando Castelão, Alex, Paulo Fernando Craveiro. Como editor da TV Jornal do Commércio, passei também a escrever para a lidíssima coluna "Dicas e Bizus" no Diário da Noite, vibrante vespertino recifense também da empresa de F. Pessoa de Queiroz, então sob a Chefia de Redação do jornalista Ronildo Maia Leite, um dos expoentes da imprensa de Pernambuco. Mas foi na TV Jornal do Commércio que tive oportunidade de conhecer e ser apresentado, em visita surpresa ao Recife, como se estivesse de férias, Alice Maria, editora-executiva do Jornal Nacional, da TV Globo do Rio de Janeiro, que se preparava, silenciosamente, para iniciar atividades em Pernambuco, depois de uma frustrada tentativa de acordo com a TV Jornal do Commércio para integração de rede nacional. Em verdade, como seria confirmado depois, Alice Maria fazia uma visita de observação e avaliação de profissionais do jornalismo do Recife para formação de equipe da futura TV Globo Nordeste, em instalação, quase misteriosamente, na capital pernambucana. f.

TV GLOBO NORDESTE - Recife - PE

Foto: Primeira sede da TV Gobo Recife

Foi às 11 horas do dia 22 de abril de 1972. Confiante diante do novo desafio e feliz pela nova fase em minha trajetória profissional, eu estava lá no 13º andar do Edifício Ambassador, na avenida Conde da Boa Vista, centro do Recife, primeira sede da TV Globo Nordeste. Como editor da equipe original de jornalistas da nova emissora, sob a direção de Edson Rubi, preparava a primeira edição do jornal Hoje para Pernambuco. Por obra e graça da visita de observação da editora excutiva do Jornal Nacional no Rio, Alice Maria. Eu havia deixado, oficialmente, a TV Jornal do Commércio exatamente no dia anterior,21 de abril, depois de ter absoluta certeza da realidade da TV Globo instalada misteriosamente no Recife. Ao vivo, via Embratel, para todas as emissoras da rede, o jornalista e empresário Roberto Marinho anunciou a inauguração da TV Globo Nordeste. Presente no Recife. o então diretor-geral da Globo, Walter Clark, prestigiou a cerimônia nos transmissores da emissora no Morro do Peludo, na Vila Ouro Preto, em Olinda. Chegada da TV Globo ao Nordeste foi o assunto principal do primeiro jornal Hoje editado em Pernambuco. Fixando as primeiras e decisivas orientações ao jornalismo da emissora no Recife, uma equipe vinda do Rio sob o comando do diretor da Central Globo de Jornalismo, Armando Nogueira. Do primeiro time do jornalismo da Globo Recife faziam parte também Raul Varassin, vindo da TV Paranaense, Jodeval Duarte, vindo do Diário de Pernambuco, Francisco José, vindo do Jornal do Commércio, Carlos Alberto Campos e Carlos Alberto Medeiros, vindos da TV Jornal do Commércio, e José Carlos Azevedo, vindo da TV Globo do Rio. No dia seguinte, domingo à noite, o primeiro grande esforço operacional da mais nova estação da Globo: transmitiu o programa de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, pernambucano que se tornou famoso como “Papa da Comunicação”, diretamente do Ginásio Geraldo Magalhães, na Estrada da Imbiribeira, zona sul do Recife. E na segunda-feira, dia 24, as primeiras edições normais do Jornal Hoje, com os apresentadores Roberto Nogueira e Maria Anunciada, e do Jornal Nacional, com Jerônimo Filho, ex-locutor do Repórter Banorte na TV Jornal do Commércio.Como não havia canal da Embratel disponível para o horário, a edição do Jornal Hoje, sempre às 13 horas, contava com uma produção local e mais as partes não perecíveis em videotape da edição do dia anterior no Rio de Janeiro chegada ao Recife por via aérea. Já o Jornal Nacional abria com cinco minutos de produção local seguida da edição nacional, via Embratel. Durante quatro anos, tive o privilégio e a honra de participar, como jornalista, da fascinante construção da Rede Globo, vivendo alguns dos momentos mais importantes da história da televisão brasileira. Fundada em 26 de abril de 1965, no Rio de Janeiro, sua rede já estava em formação desde 1969 quando foi lançado o Jornal Nacional, o primeiro telejornal em rede nacional, criado por Armando Nogueira, e apresentado por Hilton Gomes e Cid Moreira. Exatamente um ano antes de marcar presença no Recife, em 21 de abril de 1971, havia sido inaugurada a TV Globo Brasília. Ao mesmo tempo em que começava a formar sua rede, a Globo fazia enormes investimentos em tecnologia para transmissão em cores.Pouco antes de sua instalação no Recife, a Globo participou do pool de emissoras que realizou a primeira transmissão nacional e oficial em cores, junto com as concorrentesTupi, Record e Bandeirantes. Foi em 19 de fevereiro de 1972 quando a televisão mostrou ao País em cores a Festa da Uva, em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Em 31 de março desse mesmo ano, (dia da inauguração do sistema de televisão em cores no Brasil), a TV Globo exibiu o especial "Meu Primeiro Baile”, o primeiro programa da televisão brasileira inteiramente gravado em cores. Em 1973, emissora estreou o Globo Repórter no ar até hoje, e o programa Fantástico. também líder de audiência e ainda hoje transmitido aos domingos.Em 28 de abril de 1974, o Fantástico passou a ser transmitido em cores. Em 1977, toda a programação da Globo passou a ser a cores. Como um dos 44 funcionários da equipe fundadora da TV Globo Nordeste, sediada no Recife, estive no cenário de quase todos esses acontecimentos importantes para a televisão brasileira. Durante quatro anos realizei coberturas em todo o Nordeste para o Jornal Nacional e para o Fantástico, participei de edições especiais do telejornalismo global no Rio de Janeiro, e vivi, intensamente, alguns dos melhores momentos de minha trajetória profissional como jornalista, Deixei a Globo, quando ela já se preparava para se transformar na maior rede de toda a América Latina e a terceira maior rede comercial do mundo depois das americanas ABC e CBS, vista por mais de 150 milhões de pessoas somente no Brasil, uma das maiores audiências do mundo.

JORNAL DO COMMÉRCIO - Recife - PE

Foto: Sede histórica do Jornal do Commércio, centro do Recife

Com mudanças feitas pela Direção Geral da Rede Globo na direção regional e na direção de jornalismo em Pernambuco, ao final de 1975 saí da TV Globo Nordeste. Com a importante função de Editor-Chefe que exercia e o salário muito alto, então, para o mercado do Recife, passei a temer pela minha permanência em Pernambuco. Cheguei a ser sondado pelo presidente da Organização Arnon de Melo em Maceió, Fernando Collor de Melo, para dirigir o jornalismo da TV Gazeta de Alagoas. Fui conferir, pessoalmente, e pedi um tempo para pensar. Mas não demorou muito e recebi convite do Diretor de Redação do Jornal do Commércio, no Recife, Esmaragdo Marroquim, para ser Chefe de Reportagem com a nomemclatura de Chefe de Produção.Dediquei-me com tanto entusiasmo, disciplina, confiamça, segurança, diligência e eficiência, apresentando resultados positivos que, em menos de um ano, fui gratificantemente surpreendido: convidado pelo superintendente Hilton Mota para ser o sucessor de um dos papas do jornalismo em Pernambuco, verdadeira lenda na história da imprensa do Recife, Esmarago Marroquim, na Direção de Redação do Jornal do Commércio, indicado pelo próprio Esmaragado que estava se afastando depois de quase 30 anos na função.E, assim, de repente, eu que, quando adolescente, sonhava ser um dia repórter ou redator do Jornal do Commércio estava assumindo a Direção do vibrante matutino da Rua do Imperador.no centro do Recife, fundado em 03 de abril de 1919. Foi quando acreditei que Deus não coloca no coração do homem um sonho impossível de ser realizado. Disse isso ao filósofo e "príncipe dos poetas populares" do Juzeiro do Norte, Pedro Bandeira, que, em visita ao Recife, apareceu na Redação do Jornal do Commércio para visitar-me e oferecer-me um novo livro seu com dedicatória carinhosa a "tão iliustre caririense". Fiz da realidade do sonho um momento de transformação para engrandecimento do jornalismo.. Primeiro, organizei uma equipe de Redação experiente e conceituada herdada da Direção anterior, onde se destacavam, entre chefes de Redação, editores, colunistas e repórteres especiais, Waldomiro Arruda, Gilberto Prado, Aldo Paes Barreto, Olbiano Silveira, Aldo Pacheco, Paulo Barreto, Alexandrino Rocha, Rosalvo Melo, Ricardo Correa,Orlando Dantas, Nilo Pereira, Leduar de Assis Rocha, Sílvio Oliveira,Valdecir Serrano, Antonio Brasil, Ivan Maurício, José de Souza Alencar(Alex), Sílvio Bentzen, Homero Fonseca, Nivaldo Spínola, Léa Craveiro, Ariadne Quintella,Ladjane Bandeira, Audálio Alves, Romildo Porto, Lúcia Nóya, Fátima Bahia, Lenivaldo Aragão, Josa Macedo, Saulo Queiroz, José Mário Rodrigues,Celso Marconi, José Almir, Florêncio Quarentinha, além de dezenas de repórteres e redatores totalizando mais de 60 profissionais. Segundo, realizeii uma ampla e inovadora reforma gráfica e editorial no Jornal do Commércio colocando-o numa linha editorial próxima dos sentimentos populares do Recife que estavam exigindo a redemocratização do País.Duas providências que garantiram imediata sintonia do Jornal do Commércio com a politizada sociedade de Pernambuco.Causando surpresa aos meios políticos do Estado, o Jornal do Commércio passou a abrir grandes espaços para os movimentos contra a ditadura e pela redemocratização, sobretudo liderados pelos peemedebistas históricos Ulysses Guimarães e Jarbas Vasconcelos. Na campanha da eleição presidencial indireta de 1978, o jornal deu franco apoio ao candidato da oposição, general Euler Bentes Monteiro, contra o canditado do regime militar, general João Figueiredo. Para garantir maior qualidade editorial à nova fase do Jornal do Commércio trouxe de volta ao jornal alguns escritores famosos de Pernambuco para colaborações semanais, como Gilberto Freyre, autor do clássico "Casa Grande & Senzala" e o poeta Mauro Mota, um dos maiores do Recife. Com isso, o jornal entrou rápido em recuperação de prestígio e de circulação, depois de uma queda vertiginosa provocada pela crise que atingiu toda a Empresa Jornal do Commércio. Mudança revigorou o jornal em seu espírito combativo e de amor a Pernambuco que lhe dotou o empresário e ex-senador F. Pessoa de Queiroz ao tornar famoso no Brasil inteiro o slogan de sua principal emissora: "Rádio Jornal do Commércio, a emissora mais potente do Brasil, Pernambuco falando para o mundo". Comandei o bravo matutino da rua do Imperador até final de 1978, quando tive que deixar o jornal depois de ter apoiado uma greve de jornalistas pernambucanos. Greve por melhores salários e condições de trabalho era um sinal de vida dos jornalistas e somente ao lado deles em me senti conectado com a vida. E assim, vivi e cumpri missão privilegiada, numa experiência honrosa e inesquecível de exercício do verdadeiro e autêntico jornalismo como força de expressão democrática, esse profundo espírito de pernambucanidade, em anos memoráveis, dirigindo o Jornal do Commércio, um dos mais importantes e de maior credibilidade em todo o Brasil.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO - Brasília - DF

Foto: Sede do MEC na Esplanada dos Ministérios em Brasília

Com a posse do novo presidente do Brasil em março de 1979, João Figueiredo, escalado para ser o último do período do regime militar instalado em 1964, o País ganhou também um novo e qualificado ministro da Educação: Eduardo Portela, advogado, professor, escritor, crítico, conferencista, pensador e pesquisador, considerado o maior crítico literário da América Latina.Com trânsito fácil engtre a criação do pensamento e o poder político, garantiu no Miinistério da Educação ao Brasil uma ampla reflexão sobre os problemas brasileiros com suas investigações filosóficas abrangendo, alémd a literatura, a cultura, a educação e a comunicação. Natural da Bahia, mas com forte ligação ao Pernambuco, pois estudou e se formou na legendária Faculdade de Direito do Recife, a primeira do Brasil, na formação de sua equipe, convidou alguns ilustres pernambucanos, como Aloisio Magalhães, para presidir o Instituto do Patrimônio Histórico Nacional, e o diretor do Conservatório Pernambucano de Música, maestro de prestígio nacional e até internacional, Cussy de Almeida, para presidir o Instituto Nacional de Música. Sondado, Cussy de Almeida, que tinha acompanhado de perto minha gestão no Jornal do Commércio de onde acabara de sair, sugeriu meu nome para Assessor de Imprensa do novo MEC. Convidado, desembarquei em março de 1979 em Brasília onde assumi a nova função para viver uma experiência diferente e palpitante no jornalismo, do outro lado do balcão, servindo à imprensa. Mantive logo uma relação franca de companheirismo e de amizade com o Assessor Parlamentar do Ministro, jornalista Luiz Adolfo Pinheiro, nome de prestígio no mercado de Brasília, especialmente no Congresso Nacional.Com o ministro Eduardo Portella tive uma crescente interação a partir de uma natural empatia que facilitou muito o trabalho de assessor, porta-voz e intérprete dos seus pensamentos e suas decisões. Seu programa ministerial tinha um eixo central inovador e revolucionário chamado "Pedagogia da Qualidade" para o qual convergiam os eixos prioritários de "Valorização do Professor", através de mais capacitação e melhores salários, "Melhoria da qualidade do Ensino" tanto no nível médio quanto universitário e "Ensino Profissionalizante" para qualificar jovens ao mercado de trabalho. Como intelectual,seu pensamento direcionava-se para três pontos: os tempos são conectados, não havendo tripartição em passado, presente e futuro; literatura e arte são as últimas dimensões do homem: e a liberdade é o destino do ser humano. Por isso anistiou muita gente que estava na lista negra dos militares, como Fernando Henrique Cardoso e Darcy Ribeiro. Orgulhava-se de ter sido convidado ao Governo para ser Ministro da Abertura Democrática. Foi um prazer a conviência diária com Eduardo Portella por encontrar nele, além de um gestor qualificado, responsável e ético, de profunda sensibilidade social e de fortes convicções democráticas, um genial pensador, de tiradas espirituosas, sempre bem humorado, um ateniense capaz de distensionar qualquer espartano, um fascinante intelectual, de imaginação criadora, sempre surpreendente.Com tamanha grandeza, intelectual, nunca precisou de discurso feito pelo assessor, mesmo porque preferia fazer seus discursos de improviso deixando as ideias jorrarem concatenadas. Mas produzi muitas mensagens para sua assinatura, o que me rendeu, certa vez, esse elogio: "Eu sinto que você consegue mergulhar dentro dos meus pensamentos". Mas era apenas o exercício amplo e irrestrito da empatia, fundamental para quem faz o papel de assessor Entre as obras publicadas por Eduardo Portella, doutor em Letras, destaca-se "O Intelectual e o Poder". Durante dois anos chefiando a comunicação social do Ministério da Educação e Cultura tive oportunidade de me relacionar com grandes profissionais da imprrensa nacional, como Carlos Castelo Branco, Alexandre Garcia, Luiz Orlando Carneiro, Antonio Drummond, Rui Lopes, Zózimo Barroso do Amaral, Félix de Athayde, Carlos Chagas, Armando Ferrentini, e convivi, diariamente, com exclentes repórteres do eixo Rio-São Paulo com atuação em Brasília principalmente na cobertura regular do MEC: Rosângela Bittar, do Estado de São Paulo, Miriam Guaraciaba, da Folha de São Paulo, Célia Nadai, de O Globo, Cora Ronay, do Jornal do Brasil, Eliane Catanhêde, da revista Veja, e Manoel Barroso, do Jornal dos Sports. Com eles estabeleci um relação de inteira confiança, resistível até aos eventuais conflitos de interesses de um lado e do outro. Assim foi até o final,em 26 de novembro de 1980, quando o ministro Eduardo Portella foi demitido depois de apoiar uma greve de professores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, antecipando sua saída do MEC com uma frase originalíssima que ganhou notoriedade nacional: "Eu sou professor, não sou ministro, eu estou ministro". Como eu tambem não era assessor, apenas estava assessor, acompanhei o amigo e mestre Eduardo Portella, deixando também o MEC e a Esplanada dos Ministérios.


EMP. BRASILEIRA DE RADIODIFUSÃO- Brasília - DF

Foto: Fachada da sede da antiga Radiobrás em Brasília

Com a inesperada queda do ministro da Educação, Eduardo Portella, interrompendo projeto que tinha horizonte de cinco anos, e com apenas dois anos de vivência em Brasília, pensei em voltar para Pernambuco. Cheguei a passar um mês de férias, amadurecendo a idéia, em casa de veraneio na praia do Janga, em Olinda. Mas, voltando a Brasília fui convidado para assumir o cargo de Secretário de Redação da Empresa Brasileira de Notícias-EBN, criada em maio de 1979, como sucessora da antiga Agência Nacional. Convite do seu novo superintendente, jornalista Luiz Adolfo Pinheiro, com quem tinha feito amizade no MEC onde ele havia sido Assessor Parlamentar. Enfrentei o desafio convencido pela proposta: fazer da EBN, então sob a presidência do jornalista Marco Antonio Kraemer, ex-Assessor de Imprensa do Palácio do Planalto, uma agência de notícias do Estado e não apenas do Governo publicando tudo que fosse de interesse público mesmo quando o interesse público estivesse contrariando o interesse do Governo. Uma proposta jornalisticamente séria e politicamente ousada. Entreguei-me ao projeto com dedicação e entusiasmo.Já com a EBN sob a presidência do jornalista Carlos Marchi, coordenei a cobertura oficial de duas viagens internacionais do então presidente José Sarney, ao Uruguai e a Portugal, fazendo, inclusive, muitas horas de tranmissão para emissoras de todo o Brasil. Era um tempo de democracia na EBN, responsável pela produção do tradicional programa Voz do Brasil, o mais antigo da radiodifusão brasileira, criado em 1935, pelo Governo Getúlio Vargas. Com a EBN, divulgava-se na Voz do Brasil tudo que era importante, desde os atos do Governo aos eventos populares, como carnaval, tudo que era do interesse público. Contava com uma equipe de experientes profissionais, destacando-se entre editores, produtores e repórteres: : José Escalarte, Renato Riela, Fernando Costa, Arnaldo Sales, Osvaldo Amorim, William Anoni, Kleber Sampaio, Luiz Recena, Marisa Gibson, Nelci Stein, Gerson Gonçalves, Oliveira Lima, Henry Araújo, Graça Seligman, Sérgio Oliveira, Marcelo Cordeiro, Luiz Sampson, Alexandre Torres, Delis Ortiz, João Pena Filho,Sidney Resende,Liano Sabo, Danúbio Rodrigues, Stênio de Souza, Irineu Tamanini, Sérgio Galvão, Adão Nascimento, Hermínio Oliveira, Roberto Barroso, Getúlio Gurgel. Em junho de 1988, por decreto do então Presidente José Sarney, a EBN e seus profissioanis foram incorporados à empresa Radiobrás, que detinha duas emissoras de televisão e cinco emissoras de rádio, operando em ondas curtas, médias e freqüência modulada e o maior complexo de transmissores e antenas de radiodifusão em ondas médias e curtas da América Latina, localizado em Brasília. Com isso, a Radiobrás passou a ser denominada Empresa Brasileira de Comunicação, que absorveu também a missão e os valores jornalísticos da extinta EBN: empresa pública de comunicação, informando com objetividade o cidadão brasileiro sobre Estado, governo e vida nacional. Organizada para garantir o direito do público à informação, o jornalismo da Radiobrás passou a ter compromisso com os fatos e a verdade, com objetividade e apartidarismo, buscando produzir conteúdo informativo de qualidade para os cidadãos brasileiros. Como empresa do Estado a serviço do público, fixou sua base editorial em princípio democrático:"A informação é um direito do cidadão porque, na democracia, todo poder emana do povo e em seu nome é exercido – e é para delegar o poder que o cidadão tem o direito de estar bem informado". Como Secretário de Redação da EBN e da Radiobras, tive essa feliz experiência de democratização da informação e de liberdade de expressão dentro do Governo. Pelo menos, foi assim até final de 1989 quando deixei a Radiobrás integrando uma lista de demitidos em massa pelo presidente Collor de Mello.


CORREIO BRAZILIENSE - Brasília - DF

Foto: Redação do Correio Braziliense, em Brasília

Começo de 1980. Conhecido na imprensa nacional como administrador de jornais, radios e televisões dos Diários Associados, organização fundada por Assis Chateaubriand, o jornalista cearense Paulo Cabral de Arújo assumiu a presidência do Correio Braziliense e das emissoras do grupo em Brasília. No dia seguinte à sua posse, fui convidado para assumir o cargo de Editor-Chefe do principal jornal da capital da República. Além dessa importância, já considerado um dos principais jornais brasileiros, o Correio Braziliense carregava consigo uma forte simbologia de vinculação profunda com a história de Brasília e com a história do Brasil.Era resultado de um desafio feito em 1960 pelo presidente Juscelino Kubitschek ao empresário Assis Chateaubriand, presidente dos Diários Associados, então maior conglomerado de mídia do Brasil. Em pouquíssimo tempo, Chateaubriand organizou e instalou, com o apoio e o trabalho fecundo do jornalista Cid Varella, o Correio Braziliense, que foi inaugurado em 21 de abril de 1060, no mesmo dia da inauguração de Brasília. Com isso houve um reencontro da história: ganhou o nome de Correio Braziliense em homenagem ao Correio Braziliense, fundado em Londres pelo jornalista Hipólito da Costa e considerado o primeiro jornal brasileiro que circulou de 01 de junho de 1808 até 01 de dezembro de 1822. Assim, Hipólito da Costa entrou para a história como verdadeiro criador e Patrono da Imprensa Brasileira e seu jornal como combativo defensor da Independência do Brasil e da transferência da capital brasileira para o interior do território nacional, de preferência o Planalto Central.Dessa forma, o Correio Braziliense de Chateaubriand nasceu profundamente vinculado à história da nova capital, Brasilia. Quando assumi como Editor-Chefe o jornal, embora um dos mais importantes do Brasil, ainda era impresso em preto e branco.Com apoio de Paulo Cabral e o diretor de Redação, Luiz Adolfo Pinheiro, e valendo-me da experiência na direção do Jornal do Commércio do Recife, implementei. imediatamente, uma reforma gráfica e editorial com a criação de novos cadernos, especialmente o de Cidades, que ampliou consideravelmente a cobertura da cidade, obtendo como resposta maior circulação. Para isso contava com uma grande equipe criativa e produtiva de editores e repórteres:: Eduardo Brito, Antonio Caraballo, Adriano Lafetá, Jorge Rosa, Ricardo Nobre, Carlos Conde, Octávo Bonfim, Marcondes Brito, José Antonio, Carlos Benrensdorf, Cláudio Amaral, Kleber Sampaio, Paulo Rossi, Marcelo Cordeiro, Luiz Recena, José Roberto Lima, Alexandre Torres, Hélio Mota, Paulo Pestana, Cláudio Ferreira, Raul Ramos, Augusto Aguiar, Danúbio Rodrigues, Tarcísio Holanda, Jucélio Duarte, Luiz Turíbio, Valério Ayres, Luiz Tajes, e dezenas de repórteres e fotógrafos dos mais respeitados no mercado de Brasília. Contava até com um correspondente internacional, Cláudio Lessa, nos Estados Unidos.Fazia parte do projeto de Paulo Cabral a modernização tecnológica e editorial do jornal. Por conta disso, estive participando de dois congresos e feiras internacionais de novas tecnologias de jornais promovidos pela American Newspapers Association nos Estados Unidos: em Las Vegas(1991) e em New Orleans(1993).Durante o período em que fui seu Editor-Chefe, graças aos investimentos de Paulo Cabral de Araújo, o Correio Braziliense ganhou cores, novos equipamentos de impressão, iniciou o processo de informatização de sua Redação e aumentou sua circulação de 62% para 86% no Distrito Federal.Com as mudanças feitas na empresa em fevereiro de 1994, a partir da nomeação do jornalista Ricardo Noblat como novo Diretor de Redação, deixei o cargo de Editor-Chefe e fui nomeado Diretor-Geral dos Diários Associados na Paraíba(comandando dois jornais diários, duas televisões e três emissoras de rádio). Fiquei em João Pessoa até junho de 1995 quando voltei para Brasília e passei a ocupar a função de Assessor Especial da Presidência dos Diários Associados, trabalhando diretamente com o presidente Paulo Cabral de Araújo, então também presidente da Associação Nacional dos Jornais, cargo que ocupou de 1994 ao ano 2000. Mas, lamentavelmene, como efeito das mudanças feitas ainda em 1994, foi-se acumulando uma crise de gestão interna, de natureza editorial e financeira, abalando a direção do Correio Braziliense. Apesar dos meus alertas pessoais, como assessor, para convencer Paulo Cabral de Araújo a redirecionar o jornal e evitar estresse com os próprios acionistas do Condomínio dos Associados, que já não escondiam insatisfação com os rumos da empresa, não obtive êxito. Eu queria, francamente, ajudá-lo, mas ele resistia contra qualquer ideia de nova mudança na gestão do principal jornal de Brasília. Pelo contrário, acabei gerando um desconforto entre nós dois que vínhamos cultivando uma amizade de 20 anos de companheirismo. Finalmente, em agosto de 2000, quando levei ao Presidente e amigo, como seu assessor, por solicitação dos Editores do jornal, um elenco de reclamações sobre a conduta da Direção de Redação, o que ouvi dele, sem qualquer pergunta ou qualquer comentário, foi um surpreendentemente frio "Você está dispensado".Deixei sua sala e o jornal sem dizer uma palavra. Dois anos depois, em 2002, confirmando o que eu lhe havia alertado, premonitoriamente, a crise derrubou Paulo Cabral de Araujo da presidência do Correio Braziliense e dos Diários Associados, encerrando melancolicamente a trajetória de sucesso de um dos mais brilhantes jornalistas brasileiros do século XX.

Jornal FATORAMA - Brasília - DF

Foto; Capas do jornal Fatorama

Depois de deixar o Correio Braziliense ao final de 2000, quando também concluí Pós-Graduação na Universidade de Brasília, assumi um novo desafio profissional e lancei um jornal avançado na tendência mundial, um jornal pós-Internet, protótipo de modelo para enfrentar a grave crise que atingiu mídia impressa internacional diante das novas tecnologias e novas mídias. Foi assim que nasceu Fatorama em 25 de março de 2001, lançado em evento festivo e prestigiado no Hotel Nacional de Brasília, com a presença de altas autoridades brasileiras, inclusive o vice-presidente da República, senador Marco Maciel. Primeiro jornal fast-news do Brasil, Fatorama, credenciado e respeitado no mercado de Brasília como produto editorial de seriedade, responsabilidade, qualidade e credibilidade, é um empreendimento inovador na mídia impressa brasileira. Produzido, editado e impresso em Brasília, circula, regularmente, aos domingos, desde 25 de março de 2001. Completou neste 2011 seu décimo ano de história e de circulação. É resultado de estudo do mercado regional adicionado de estudo do mercado internacional. Seu formato gráfico e seu padrão editorial buscam atender aos novos desafios da mídia impressa diante do impacto das novas tecnologias. De acordo com a Associação Mundial de Jornais, 450 milhões de exemplares de jornais são vendidos(2010) no mundo diariamente; no Brasil, são 8 milhões de exemplares por dia. Depois de um período de estagnação, a partir da chegada da Internet, nos anos 90, a circulação global de jornais voltou a crescer nos últimos cinco anos: 2,3% no mundo e 10,1% no Brasil(diferença alta pró-Brasil tem sido explicada pelo poder investigativo e crítico dos jornais aos escândalos de corrupção no Governo). Mas, o impacto das novas tecnologias está proporcionando um fenômeno de alteração crescente no mercado: são cada vez maiores a presença e aceitação de jornais em formato tablóide e gratuitos; já são 60 milhões de exemplares diários somente na Europa, que responde por 17% da circulação mundial de jornais. Assim, Fatorama está desde 2001 antecipando em Brasília uma tendência mundial: tablóide e gratuito. E traz ainda uma inovação absolutamente inédita na mídia impressa brasileira, que é o jornal fast-news, totalmente colorido, oferecendo padrão dinâmico, prático e atraente. Com isso, está conseguindo atrair os leitores jovens, que, crescentemente, estão rejeitando os jornais tradicionais. Sua circulação no final de semana tem outra vantagem: quase 70% dos leitores de jornais no Brasil, segundo o IVC, cumprem esse hábito somente aos domingos. Com tiragem semanal de 15 mil exemplares, Fatorama atinge 60 mil leitores qualificados, formadores de opinião e de mais alto poder aquisitivo da Capital Federal e do Brasil. É o jornal de opinião da capital brasileira. Tem circulação semanal regular e garantida com 4.500 exemplares para assinantes, 4.500 para freqüentadores dos 250 principais restaurantes de Brasília e 4.500 para dirigentes e executivos de 350 organizações públicas e privadas da cidade. Está presente também em 200 bancas de jornais de Brasília. E tem circulação de prestígio em Goiânia, Recife, Fortaleza, Rio e São Paulo. É o tablóide de Brasília. Faz sucesso como o único jornal de opinião da capital brasileira: www.fatorama.com.br Consumido por leitores das classes A-B de Brasília, Fatorama é produzido por 15 veteranos e conceituados jornalistas, que já atuaram e ocuparam funções editoriais importantes nos maiores jornais do País(Globo, Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo). Orgulho-me de ser seu fundador e diretor geral, marcando meus 44 anos interruptos de jornalismo, depois de ter sido Editor da TV Jornal do Commércio do Recife, Editor-Chefe da Rede Globo no Nordeste, Diretor de Redação do Jornal do Commércio, o maior do Nordeste e um dos principais do País, e Editor-Chefe do Correio Braziliense, um dos mais influentes do Brasil. Fatorama é um jornal pós-Televisão e pós-Internet, abrindo espaço na nova tendência mundial.

 

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