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JORNALISTA, ESCRITOR, EDITOR, ENSAISTA E ROMANCISTA

 BEM VINDO AO MUNDO DO JORNALISMO E DA LITERATURA
 
 
MEUS POETAS POETÍSSIMOS

DRUMMOND DE ANDRADE
Foto: Poeta Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade. (Itabira-MG, 1902 – Rio de Janeiro, 1987). Nasceu em Minas Gerais, em Itabira, cidade que ganhou presença evocativa em sua obra poética. Estudou em Belo Horizonte e Nova Friburgo, no Rio. Formado em Farmácia, fundou uma revista para divulgar o modernismo no Brasil. Quando publicou sua primeira obra poética “Alguma Poesia”(1930), seu poema “Sentimental” foi declamado na conferência “Poesia Moderníssima do Brasil” na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, Portugal. Ele segue a linha dos modernistas adotando o verso livre. “No meio do caminho tinha uma pedra/ tinha uma pedra no meio do caminho/ tinha uma pedra/ no meio do caminho tinha uma pedra”. Sua composição “A Máquina do Mundo” considerado o melhor poema brasileiro de todos os tempos faz parte da lista dos 100 melhores poemas internacionais do século XX. “E como eu palmilhasse vagamente/ uma estrada de Minas, pedregosa/, e no fecho da tarde um sino rouco/se misturasse ao som de meus sapatos/ que era pausado e seco; e aves pairassem/ no céu de chumbo, e suas formas pretas/ lentamente se fossem diluindo/na escuridão maior, vinda dos montes/e de meu próprio ser desenganado/,a máquina do mundo se entreabriu/para quem de a romper já se esquivava/ e só de o ter pensado se carpia/Abriu-se majestosa e circunspecta/,sem emitir um som que fosse impuro/nem um clarão maior que o tolerável..”É o poeta que carrrega o sentimento do mundo em apenas duas mãos. É um dos meus poetas poetíssimos. É dele esta maravilha de inspiração:

O AMOR ANTIGO


O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige, nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.


O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.


Se em toda parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.


Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.
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FERNANDO PESSOA C
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Foto: Poeta Fernando Pessoa
Fernando Pessoa. E“Navegadores antigos tinham uma frase gloriosa: "Navegar é preciso; viver não é preciso.Quero para mim o espírito desta frase, transformada a forma para a casar com o que eu sou: Viver não é necessário; o que é necessário é criar”. Foi assim que ele popularizou no mundo inteiro uma frase de Pompeu, general romano(106-48 aC). É um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e da Literatura Universal, muitas vezes comparado com Luis de Camões. Fernando Pessoa(Lisboa, 13 de junho de 1888 – Lisboa, 30 de novembro de 1935) deixou uma obra considerada "legado da língua portuguesa ao mundo". Educado na África do Sul, para onde foi aos seis anos em virtude do casamento de sua mãe, aprendeu perfeitamente o inglês, língua em que escreveu poesia e prosa desde a adolescência. Manteve contato com a literatura inglesa através dos autores Shakespeare, Edgar Poe, John Milton, Lord Byron, John Keats, Percy Shelley e Alfred Tennyson, entre outros de prestígio internacional. Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Trabalhou em várias firmas comerciais de Lisboa como correspondente de língua inglesa e francesa. Com exceção de “Mensagem”, seus únicos livros publicados em vida são coletâneas de seus poemas em inglês. Foi também empresário, editor, crítico literário, jornalista, comentarista político, tradutor, inventor, astrólogo e publicitário, ao mesmo tempo que produzia a sua obra literária em verso e em prosa. Como poeta, desdobrou-se em múltiplas personalidades conhecidas como heterônimos, sua principal característica como escritor. Os três mais famosos: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Sua justificativa para esses heterônimos: "Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente. Cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa, que passa a sonhá-lo, e eu não." Ao usar a heteronímia, tornou-se enigmático ao extremo, despertando grande interesse por sua personalidade e sua obras. Escreveu a vida inteira, desde o primeiro poema aos sete anos até a morte. Um poeta extremamente criador. Misterioso, assim se apresenta em seu poema “Autopiscografia”: “O poeta é um fingidor/ Finge tão completamente/ Que chega a fingir que é dor/A dor que deveras sente.” É um dos meus poetas poetíssimos. É dele esta maravilha de inspiração:

TENHO TANTO SENTIMENTO

Tenho tanto sentimento
Que é freqüente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.


Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.


Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos da maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar

JORGE BORGES
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Foto: Poeta Jorge Borges
align="left">Jorge Luis Borges. QEscritor, poeta, tradutor, critico literário e ensaísta, Jorge Luis Borges(Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 – Genebra, 14 de junho de 1986) é aplaudido como o maior poeta da Argentina em todos os tempos. Depois de morar na Suíça por sete anos, desde 1914, voltou à Argentina em 1921, quando começou a publicar seus primeiros poemas. Também trabalhou como bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da Argentina e professor de Literatura da Universidade de Buenos Aires. Em 1961, apareceu no cenário mundial ao receber o primeiro prêmio internacional de editores, o Prêmio Fomentor. Fluente em várias línguas, seu trabalho foi publicado nos Estados Uniodos e na Europa. Sua obra abrange o “caos que governa o mundo e o caráter de irrealidade em toda a Literatura”. Seus livros mais famosos, Ficciones(1944) e O Aleph(1949) reúnem coletâneas de histórias curtas com temas comuns: sonhos, labirintos, escritores fictícios, livros fictícios, religião, Deus. Sua progressiva cegueira ajudou-o a criar novos símbolos literários usando a imaginação já que “os poetas, como os cegos, podem ver no escuro”. Consolidou sua fama internacional na década de 1960 e foi homenageado por Umberto Eco, no romance “O Nome da Rosa” com um personagem chamado Jorge de Burgos. Deixou uma obra impressionante que abrange filosofia, metafísica, mitologia e teologia em narrativas fantásticas. Com o agravamento de sua cegueira, a partir de 1950 passou a se dedicar mais à poesia produzindo obras notáveis como "A cifra" (1981), "Atlas" (um esboço de geografia fantástica,1984) e "Os conjurados" (1985). É um dos meus poetas poetíssimos. É dele esta maravilha de inspiração:

O CÚMPLICE

Crucificam-me e eu tenho de ser a cruz e os pregos.
Estendem-me a taça e eu tenho de ser a cicuta.
Enganam-me e eu tenho de ser a mentira.
Incendeiam-me e eu tenho de ser o inferno.
Tenho de louvar e de agradecer cada instante do tempo.
O meu alimento é todas as coisas.
O peso exato do universo, a humilhação, o júbilo.
Tenho de justificar o que me fere.
Não importa a minha felicidade ou infelicidade.
Sou o poeta.

CARLOS PENA
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Foto; Poeta Carlos Pena
Carlos Pena Filho (Recife, 1929 – Recife, 1960). Um dos mais importantes poetas de Pernambuco da segunda metade do século XX, com reconhecimento nacional. Formado em Direito pela legendária Faculdade de Direito do Recife. Escreveu crônicas e poesias para o Diário de Pernambuco e para o Jornal do Commércio. Conviveu com grandes escritores e poetas de sua época: Manuel Bandeira, Joaquim Cardoso, João Cabral de Melo Neto, Gilberto Freyre e Jorge Amado. Morreu prematuramente, aos 31 anos, vítima de um acidente de automóvel no dia 2 de junho de 1960 no Recife, deixando desolados intelectuais de Pernambuco e de todo o Brasil. Dele disse mestre Gilberto Freyre: “De nenhum poeta no Brasil, se pode dizer ter sido, mais do que ele, de sua cidade, de sua província, de sua região, de sua tradição regional e, ao mesmo tempo, mais, a seu modo, moderno. Seu verbo poético mais de uma vez se fez carne morenamente brasileira. Sua poesia deixa-se, por vezes, apalpar sensualmente como se fosse carne”. Publicou seus primeiros poemas em 1950 no Suplemento Literário do Diário de Pernambuco. Seu primeiro livro “O Tempo de Busca” apareceu em 1952. Foi saudado pelos intelectuais e poetas pernambucanos como a grande revelação da jovem poesia brasileira. Sua poesia tem pintura, tem música, tem emoção. Em 1956, lançou“Memórias do Boi Serapião”. Seguiram-se “A Vertigem Lúcida”, em 1958, e “Livro Geral”, em 1959, que ganhou o Prêmio Nacional de Poesia, do Instituto nacional do Livro. Foi presidente da União Brasileira de Escritores em Pernambuco e membro do Pen Clube do Brasil. Seu grande amor ao Recife está expresso no poema “Guia Prático da Cidade do Recife” onde se encontram os famosos versos que escreveu tomando um chope no Bar Savoy, em plena Avenida Guararapes, no centro da capital pernambucana: “Por isso no bar Savoy/o refrão tem sido assim: /São trinta copos de chope/, são trinta homens sentados/, trezentos desejos presos/, trinta mil sonhos frustrados”.Mas o que chamam a atenção na poesia de Carlos Pena Filho, como bem observou Gilberto Freyre, são a emocionalidade e a sensualidade. Viveu apenas 31 anos, mas viveu intensamente de forma poética. Com sua linguagem lírica e lúcida, pictórica e musical, lúdica e sensual, tornou-se o poeta dos boêmios do Recife. É um dos meus poetas poetíssimos. É dele esta maravilha de inspiração:

AS DÁDIVAS DO AMANTE

Deu-lhe a mais limpa manhã
Que o tempo ousara inventar.
Deu-lhe até a palavra lã,
E mais não podia dar.


Deu-lhe o azul que o céu possuía,
Deu-lhe o verde da ramagem,
Deu-lhe o sol do meio-dia
E uma coluna selvagem.


Deu-lhe a lembrança passada
E a que ainda está por vir,
Deu-lhe a bruma dissipada
Que conseguiria reunir


Deu-lhe o exato momento
Em que uma rosa floriu
Nascida do próprio vento;
Ela ainda mais exigiu


Deu-lhe uns restos de luar
E um amanhecer violento
Que ardia dentro do mar.


Deu-lhe o frio esquecimento
E mais não podia dar.
 
 

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